O KYT rastreia de onde vieram as moedas e para onde vão, e verifica se elas estão vinculadas a atividade criminosa: hackeios, fraudes, endereços sancionados ou da darknet. É parte do sistema AML (combate à lavagem de dinheiro) e uma das principais ferramentas de compliance para as corretoras de criptomoedas.
Para que serve o KYT nas criptomoedas
A blockchain é pública: qualquer transação pode ser vista. Mas os endereços das carteiras são pseudônimos - por si só, não dizem quem está por trás deles. Os criminosos se aproveitam disso: os fundos roubados e «sujos» são passados por misturadores, fragmentados em dezenas de carteiras e sacados por meio de endereços sancionados. Rastrear essas cadeias manualmente é impossível - os volumes são enormes.
Os reguladores exigem que os serviços cripto não apenas verifiquem o cliente na entrada, mas também monitorem constantemente suas operações. É exatamente essa tarefa que o KYT resolve: ele transforma os dados públicos da blockchain em uma avaliação de risco compreensível para cada transação.
Para a própria plataforma, é também uma questão de sobrevivência: se passarem por ela fundos de um endereço sancionado ou roubado, ela fica sujeita a multas, à perda de bancos parceiros e a um golpe na reputação. Cortar uma operação de risco antecipadamente é mais simples do que dar explicações ao regulador depois.
Como funciona o KYT: o princípio
Um sistema KYT analisa automaticamente as transações e avalia o risco delas. De forma simplificada, são quatro etapas.
- 1. Coleta de dados da blockchain.O sistema reúne endereços, valores, histórico de transferências e vínculos entre carteiras. O caráter público da rede permite rastrear o caminho das moedas muitos passos atrás - até a fonte.
- 2. Avaliação do risco de endereços e transações.A cada endereço e a cada operação é atribuído um nível de risco - a pontuação de risco. Ele depende do «entorno» do endereço: se as moedas passaram recentemente por um misturador ou uma carteira sancionada, o risco é alto; se chegam de uma corretora regulada, é baixo.
- 3. Monitoramento em tempo real e alertas.O KYT funciona continuamente: em um depósito, saque ou transferência, o sistema verifica a operação em tempo real e, se o risco ultrapassar um limite definido, envia um alerta à equipe de compliance.
- 4. Reação: bloqueio, congelamento, relatório.Com base no alerta, o serviço decide o que fazer: suspender ou bloquear a operação, congelar os fundos, solicitar a origem ao cliente ou apresentar um relatório ao regulador (SAR - Suspicious Activity Report).
O que o KYT detecta: operações de risco
O KYT destaca as operações que têm alta probabilidade de estar vinculadas a atividade criminosa.
KYT e KYC: qual é a diferença
O KYT costuma ser colocado ao lado do KYC, mas são coisas diferentes - eles se complementam.
| Parâmetro | KYC | KYT |
|---|---|---|
| O que verifica | A identidade do cliente | As transações do cliente |
| Quando | No cadastro, na entrada | Constantemente, em tempo real |
| Responde à pergunta | «Quem é o cliente?» | «De onde e para onde vai o dinheiro?» |
Juntos, o KYC e o KYT formam um sistema AML: o primeiro verifica quem é o usuário, o segundo acompanha o que ele faz.
Quem usa o KYT
O KYT é um elemento obrigatório do compliance para todos que trabalham com fluxos cripto: corretoras de criptomoedas, serviços de pagamento, carteiras custodiais e outros VASP. Para eles, o monitoramento de transações é uma exigência direta dos reguladores: além de verificar os clientes, o GAFI exige dos serviços cripto o monitoramento constante das operações e a notificação de transações suspeitas.
A maioria das plataformas não constrói esse monitoramento do zero, mas conecta soluções KYT prontas via API - sistemas especializados que mantêm bases de endereços rotulados e calculam a pontuação de risco em tempo real. Isso permite obter um monitoramento de nível mundial sem uma equipe própria de analistas.
O que o KYT significa para o usuário comum
Para um usuário honesto, o KYT costuma passar despercebido. Mas às vezes ele se manifesta: se a cripto chegou de um endereço de alto risco (por exemplo, vinculado anteriormente a um hackeio ou a um misturador), a corretora pode atrasar o saque, solicitar a origem dos fundos ou congelar temporariamente o valor até a verificação. Isso não é uma punição, mas o disparo da automação - e um motivo para prestar mais atenção a de quem você aceita transferências. Por exemplo, moedas compradas de um vendedor qualquer no P2P podem carregar um «histórico» do qual você nem suspeitava - e aparecer só no saque na corretora.
Como verificar um endereço ou uma transação com antecedência
O risco pode ser avaliado não só do lado da corretora - também há serviços públicos de verificação disponíveis. No KYTme, basta inserir o endereço de uma carteira ou o hash de uma transação para ver, ainda antes da operação, se os fundos estão vinculados a fontes de risco - misturadores, endereços sancionados ou roubados. É uma forma simples de proteger uma operação P2P, verificar uma contraparte desconhecida ou certificar-se de que uma transferência recebida está «limpa» antes de aceitá-la.
É o monitoramento de transações cripto: o serviço verifica de onde vieram as moedas e para onde vão, e se elas estão vinculadas a atividade criminosa. É assim que as corretoras detectam os fundos «sujos».
Conclusão
O KYT é a «segunda linha» do compliance cripto: se o KYC verifica o cliente na entrada, o KYT acompanha constantemente a movimentação dos fundos e impede que as moedas «sujas» se dissolvam no sistema. Para as corretoras, é uma ferramenta obrigatória e, para o usuário, um motivo para usar plataformas reguladas e não aceitar transferências de fontes duvidosas. É assim que o monitoramento de transações trabalha pela segurança de todo o mercado.
